O Lead de Édipo: Jornalismo e Mito

Just another WordPress.com weblog

O mito de Édipo

Posted by Lairtes Chaves em dezembro 6, 2009

Édipo (do grego Oeidipous – “pés inchados”) nasceu em Tebas e era descendente de seu mítico fundador, Cadmos. Seu avô foi Labdacos (o “coxo”) e seu pai foi Laio (o “canhoto”).

Laio casou-se com Jocasta e teriam sido felizes como reis de Tebas se não fosse um problema: não conseguiam ter filhos. Por essa razão, muito religiosos, foram consultar o Oráculo de Delfos.

No templo, a pitonisa délfica revelou que teriam um filho dentro de pouco tempo, mas que ele estava destinado a matar o pai e casar-se com a mãe.

Eles se alegraram pelo filho. Quando ele nasceu, Laio lembrou-se do oráculo e mandou os servos matarem o bebê.

Levaram-no para uma a floresta, furaram-lhe os pés e o amarraram de ponta cabeça em uma árvore para ser devorado pelos animais selvagens.

Passaram por ali uns pastores de Corinto e o levaram. Deram-no aos reis de Corinto, que também sofriam por não ter um filho. O rei e a rainha adotaram-no como se fosse seu, e lhe deram o nome de Édipo. Quando cresceu, Édipo começou a sentir-se diferente dos seus concidadãos e foi consultar o Oráculo de Delfos. Aí soube que estava destinado a matar o próprio pai e a casar-se com a mãe. Horrorizado, decidiu não voltar a Corinto, Pegou o carro e foi para bem longe.

            Em uma estrada estreita, nas montanhas, encontrou um carro maior na direção contrária. Tentou desviar-se mas os carros acabaram chocando-se de raspão. O cocheiro do outro carro xingou Édipo que, revoltado, o matou. Então o patrão do cocheiro avançou sobre Édipo, que o matou também. E continuou a viagem.

            Chegou a Tebas e encontrou a cidade consternada por dois problemas: o rei tinha morrido e um monstro, a Esfinge, estabelecera-se na porta da cidade propondo um enigma. Como ninguém sabia responder, a Esfinge ia matando um por um. Jocasta tinha oferecido sua mão a quem livrasse a cidade desse monstro.

Édipo foi enfrentar a Esfinge. Era um ser estranho, com corpo de leão, patas de boi, asas de águia e rosto humano. Seu enigma: O que é que tem quatro pés de manhã, dois ao meio dia e três à tarde?

Édipo respondeu que era o homem, porque engatinha quando criança, passa a vida andando sobre dois pés mas,velho, tem que recorrer a uma bengala. A Esfinge matou-se e Édipo, casando-se com Jocasta, tornou-se o rei de Tebas.

Tiveram quatro filhos. Os gêmeos Eteócles e Poliníces, Antígona e Ismênia. Foram felizes durante muitos anos. Mas, depois, uma peste assolou a cidade.

Édipo quis ir consultar Delfos, mas foi aconselhado a chamar Tirésias, um velhinho cego e sábio que vivia em Tebas. Este revelou que a causa era o assassino de Laio, que continuava na cidade. Édipo prometeu prendê-lo e matá-lo, mas o sábio revelou que ele mesmo era o assassino, porque Laio era o dono do carro que ele enfrentara. Jocasta, envergonhada, suicidou-se. Édipo furou os próprios olhos e renunciou ao trono. Cego, precisou ser guiado por Antígona para ir a Delfos. Aí soube que devia ir a um bosque sagrado, em Colonos, perto de Atenas. Ajudado por Teseu, rei de Atenas, chegou lá. Encontrou um lago, onde tomou banho, e uma caverna, onde penetrou depois de mudar de roupa. Entrou na eternidade.

 

No próximo post, faço os comentários a nível de análise.

Posted in Uncategorized | Etiquetado: , , , , , | Leave a Comment »

Comunicação e Mito: Construindo a realidade pelas narrativas do imaginário

Posted by Lairtes Chaves em dezembro 6, 2009

Na sociedade da informação, diversas linhas de pesquisa vem buscado entender as relações entre o fatídico e a narrativa na construção da realidade. Se o ser humano evolui para o pensamento científico, como muitos acreditam, por que o discurso mítico ainda congrega os maiores instrumentos de persuasão e de entendimento de mundo?

O jornalista, e o comunicólogo de modo geral, por preocupar-se com a comunicação em todos os seus momentos e conteúdo; tem gerado formas de produzir mensagens que alcancem com eficácia suas audiências.

O jornalista busca narrar os fatos para a população e assim, permitir às audiências ampliar sua visão e compreensão de mundo e logo, sua construção da realidade. Se os mitos e o imaginário popular interfere nesta construção, seja na interpretação ou aceite da mensagem, cabe ao jornalista buscar na narrativa mítica instrumentos de ação social e recursos de estilo que garantam intercâmbio folkcomunicativo e melhor compreensão dos fatos, ainda que para isso, seja necessário compreender os mitos.

Meu objetivo, é compartilhar neste blog, minhas dúvidas, inspirações, fontes e resultados de pesquisas pessoais nesse campo tão vasto quanto os mitos  e a comunicação. Desde já informo-lhes, que apesar de estudar todos os mitos que fomentam o imaginário popular e logo, interferem na compreensão da realidade; tenho um mito “máximo” que, ao menos quando falamos de jornalismo, tem tudo a ver com a preocupação do jornalista em informar e produzir consciencia de realidade: O mito de Édipo e, seu clímax, quando este enfrenta a Esfinge na cidade de Tebas.

O jornalista hoje, é o Édipo na cidade de Tebas, frente a frente com o mundo, os conglomerados midiáticos, sua formação, as expectativas e o entendimento de suas audiências; sua Esfinge. A audiência, o leitor diz como a Esfinge misteriosa ao jornalista: “Decifra-me ou devoro-te”. A sociedade espera conhecer a verdade, mas a população tem interpretações sempre distintas do mesmo fato. Como produzir mensagens que utilizem-se dos processos interacionistas do imaginário popular na narrativa jornalística?

Essas, entre outras perguntas direcionam minha pesquisa. Mitos não são mentiras. Como diz Everardo Rocha (1991), o mito é uma narrativa.

Referências bibliográficas

 BARTHES, Roland. Mitologias. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1993.

 LEEMING, David. Mythology. New York: Newsweek Books, 1976.

 MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem (undestanding media). 14ªed. São Paulo: Cultrix, 2005.

 MONINI, Italiano. Mitologia Greco-Judaica e Racionalismo Moderno: um ensaio.Goiânia: Ed. UCG, 1995.

 MORIN, Edgard. O Espírito dos Tempos: Neurose. São Paulo, 1990.

 ROCHA, Everardo. O que é mito. 5ªed. São Paulo: Brasiliense, 1991.

 ROTHBERG, Danilo. Mito e notícia no jornalismo sobre ciência.

Posted in Uncategorized | Etiquetado: , , , , , , , , | Leave a Comment »