Na sociedade da informação, diversas linhas de pesquisa vem buscado entender as relações entre o fatídico e a narrativa na construção da realidade. Se o ser humano evolui para o pensamento científico, como muitos acreditam, por que o discurso mítico ainda congrega os maiores instrumentos de persuasão e de entendimento de mundo?
O jornalista, e o comunicólogo de modo geral, por preocupar-se com a comunicação em todos os seus momentos e conteúdo; tem gerado formas de produzir mensagens que alcancem com eficácia suas audiências.
O jornalista busca narrar os fatos para a população e assim, permitir às audiências ampliar sua visão e compreensão de mundo e logo, sua construção da realidade. Se os mitos e o imaginário popular interfere nesta construção, seja na interpretação ou aceite da mensagem, cabe ao jornalista buscar na narrativa mítica instrumentos de ação social e recursos de estilo que garantam intercâmbio folkcomunicativo e melhor compreensão dos fatos, ainda que para isso, seja necessário compreender os mitos.
Meu objetivo, é compartilhar neste blog, minhas dúvidas, inspirações, fontes e resultados de pesquisas pessoais nesse campo tão vasto quanto os mitos e a comunicação. Desde já informo-lhes, que apesar de estudar todos os mitos que fomentam o imaginário popular e logo, interferem na compreensão da realidade; tenho um mito “máximo” que, ao menos quando falamos de jornalismo, tem tudo a ver com a preocupação do jornalista em informar e produzir consciencia de realidade: O mito de Édipo e, seu clímax, quando este enfrenta a Esfinge na cidade de Tebas.
O jornalista hoje, é o Édipo na cidade de Tebas, frente a frente com o mundo, os conglomerados midiáticos, sua formação, as expectativas e o entendimento de suas audiências; sua Esfinge. A audiência, o leitor diz como a Esfinge misteriosa ao jornalista: “Decifra-me ou devoro-te”. A sociedade espera conhecer a verdade, mas a população tem interpretações sempre distintas do mesmo fato. Como produzir mensagens que utilizem-se dos processos interacionistas do imaginário popular na narrativa jornalística?
Essas, entre outras perguntas direcionam minha pesquisa. Mitos não são mentiras. Como diz Everardo Rocha (1991), o mito é uma narrativa.
Referências bibliográficas
BARTHES, Roland. Mitologias. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1993.
LEEMING, David. Mythology. New York: Newsweek Books, 1976.
MCLUHAN, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do homem (undestanding media). 14ªed. São Paulo: Cultrix, 2005.
MONINI, Italiano. Mitologia Greco-Judaica e Racionalismo Moderno: um ensaio.Goiânia: Ed. UCG, 1995.
MORIN, Edgard. O Espírito dos Tempos: Neurose. São Paulo, 1990.
ROCHA, Everardo. O que é mito. 5ªed. São Paulo: Brasiliense, 1991.
ROTHBERG, Danilo. Mito e notícia no jornalismo sobre ciência.